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O Toyota Supra GT2 – o pequeno gigante que desafiou os colossos do GT europeu

historicendurance
há 3 dias
3 min de leitura

O Estoril Classics regressa este fim-de-semana ao Autódromo do Estoril para celebrar a sua 10.ª edição, voltando a reunir algumas das máquinas mais emblemáticas da história da competição automóvel. Entre os protagonistas mais aguardados estará um automóvel que simboliza como poucos a coragem e a criatividade do automobilismo privado europeu: o Toyota Supra GT2, um exemplar único que enfrentou adversários de fábrica com uma determinação que o transformou numa das histórias mais singulares do desporto motorizado contemporâneo.



A génese deste Toyota Supra GT2, construído a partir de um Toyota Supra Mk.IV Bi Turbo, é uma verdadeira narrativa de resistência. No início dos anos 2000, quando o Campeonato Francês FFSA GT era dominado por gigantes como os Chrysler Viper GTS R e os Porsche 911, Jean Pierre Signoret e Jacques Point decidiram desafiar a lógica estabelecida. Sem o apoio de um construtor, sem acesso a um programa oficial da Toyota na Europa e sem os recursos das equipas de fábrica, escolheram seguir um caminho próprio: transformar um modelo de estrada num GT2 capaz de enfrentar, em pista, máquinas concebidas com orçamentos incomparavelmente superiores.





Para concretizar essa ambição, recorreram a componentes provenientes da categoria GT500 japonesa, adaptando ao chassis elementos que raramente eram vistos fora do Japão. A carroçaria em fibra de carbono, os cubos de aperto central, os travões AP Racing e as jantes Enkei de 18 polegadas conferiram ao Supra GT2 uma presença visual e técnica que o aproximava dos protótipos mais radicais da época, apesar de continuar a ser um projecto artesanal, construído longe das estruturas industriais dos grandes fabricantes.



Sem o apoio da “casa-mãe”, o motor escolhido, o lendário 2JZ GTE, tornou-se o símbolo maior desta luta desigual. Preparado pela TEAM4 em colaboração com a ORECA, recebeu uma gestão electrónica Magneti Marelli e mapas de motor desenvolvidos pela ORECA Moteur que permitiam ao Supra GT2 adaptar-se a diferentes condições de pista, desde sessões de qualificação até corridas longas ou pisos molhados. Com 1 200 quilogramas e uma caixa sequencial Quaife de seis velocidades, o conjunto foi afinado pelo piloto Soheil Ayari, cuja experiência em Le Mans permitiu transformar um automóvel privado num GT2 capaz de enfrentar adversários muito mais poderosos.





A estreia em competição ocorreu em 2004, no Campeonato Francês FFSA GT, onde o Supra rapidamente conquistou a atenção do público. O som característico do seis cilindros em linha, a estética agressiva herdada da filosofia GT500 e a coragem de enfrentar máquinas de fábrica transformaram num dos automóveis mais carismáticos do campeonato. Competiu em circuitos como Dijon Prenois, Magny Cours e Nogaro, sempre com a mesma premissa, desafiar os colossos do GT europeu com um projecto nascido da paixão e da persistência.



Depois de vários anos afastado das pistas, o Supra GT2 encontrou uma nova vida no panorama das competições históricas, sendo elegível para os eventos mais aclamados do mundo, sendo um deles o Estoril Classics. A sua presença na edição deste ano permitirá ao público reencontrar um automóvel que combina engenharia japonesa, criatividade francesa e uma história competitiva que continua a inspirar adeptos em toda a Europa.




Com a presença deste Toyota Supra GT2, o Estoril Classics reforça uma vez mais a sua capacidade de reunir máquinas que marcaram diferentes capítulos da competição internacional, oferecendo aos adeptos a oportunidade de acompanhar de perto automóveis raramente vistos em acção. A 10.ª edição do evento promete três dias dedicados ao património do automobilismo, com grelhas que atravessam várias décadas e uma atmosfera que continua a fazer do Estoril Classics uma referência incontornável no calendário europeu.




 
 
 

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